Propostos pelos deputados Romanelli (PSB), Ademar Traiano (PSDB) e Dr. Batista (PMN), a Assembleia Legislativa promove nesta terça-feira, 8, o Seminário Paranaense sobre o Panorama da Pessoa com Diabetes. O Brasil tem 14,6 milhões de portadores da doença e a Organização Mundial da Saúde acredita que uma em cada 11 pessoas no mundo tem diabetes.

A justificativa da convocação do seminário adianta que esse número só cresce no mundo. Em 2014, eram 422 milhões de portadores da doença, um salto em relação aos 108 milhões de 1980. Só no Brasil, entre 2006 e 2016, segundo o Ministério da Saúde, houve um aumento de 60% no diagnóstico da doença, e seu custo deve dobrar até 2030 – chegando a US$ 97 bilhões, em estimativas mais conservadoras, ou até US$ 123 bilhões (R$ 406 bilhões), em um pior cenário. Foram 54.877 mortes em 2010, subindo para 61.398 no ano de 2016. Em todo o período, o país registrou 406.452 mortes de brasileiros que tiveram relação com a doença.

A endocrinologista Rosângela Roginski Réa fez um arrazoado sobre a questão. Leia a seguir alguns pontos.

  • O Ministério da Saúde libera a compra de novos e melhores medicamentos, mas o paciente do SUS não encontra o que precisa no posto. Além do próprio medicamento, outro alto custo se deve à necessidade da automonitorização glicêmica, que é o exame feito em domicílio pelo próprio paciente para controle da taxa de glicemia no sangue. O objetivo é manter a glicemia sempre controlada, a fim de evitar os conhecidos episódios de hipoglicemia (nível muito baixo de glicose no sangue) ou hiperglicemia (alto nível de glicose no sangue), que comprometem a saúde e impactam muito na qualidade de vida do paciente com diabetes.
  • Outro fator que causa um enorme prejuízo na qualidade de vida e aumenta expressivamente o custo, principalmente pensando em saúde pública, é a presença de complicações do diabetes, que costumam ser a consequência de um mau controle da doença por um período prolongado. As complicações advindas do mau controle do diabetes podem ser microvasculares, com destaque para a nefropatia diabética, que pode levar à insuficiência renal e necessidade de diálise e transplante de rins, ou à retinopatia diabética, que pode levar a um comprometimento da visão e cegueira. Além delas, há o risco de neuropatia periférica, que é uma complicação associada a dores e dormência em membros inferiores. As complicações podem também ser macrovasculares, ou seja, aquelas que acontecem por obstruções de grandes vasos, como acidente vascular cerebral, conhecido como trombose, e a necessidade de amputação de membros inferiores e o infarto agudo do miocárdio.
  • A chave é a educação voltada para reduzir o diabetes de tipo 2 – prevenível com dieta e educação alimentar, atividade física, perda de peso. Além disso, a capacitação de profissionais de saúde pública, com uma maior padronização de tratamento para o controle da diabetes do tipo 1 e do tipo 2, e a utilização de novos medicamentos e da tecnologia para estabelecer e manter a efetividade do gerenciamento do tratamento pelo próprio paciente. Com melhoria no padrão de tratamento, teremos pacientes com uma maior adesão ao seu tratamento, que hoje também é outro ponto crítico. Além disso, com a utilização de tecnologias, podemos obter dados da saúde pública e privada para nortear melhor as ações necessárias para melhoria desse cenário em nosso país.

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