fbpx

O Espaço Cultural da Assembleia Legislativa recebeu nesta quarta-feira (13) o lançamento do livro-reportagem “Paraná Preto”. A obra, das jornalistas Aline Reis e Maria Carolina Scherner trata da trajetória do movimento negro no Estado com uma abordagem inédita sobre os conflitos e avanços na luta contra o racismo e a invisibilidade social.

O trabalho é fruto após três anos de pesquisa e registra a história dos principais movimentos e organizações de negritude no Paraná. Também conta com entrevistas e relatos de pessoas que não são ligadas a movimentos mas que são afetadas pelo racismo e pelo preconceito. A autora Aline Reis lembra que não existe menção à cultura negra na história do estado.

“O livro é uma tentativa nossa de fazer com que os autores, historiadores e jornalistas do Paraná corrijam uma falha que existe na historiografia oficial do estado. A menção que é dada a população negra, africana e afro-brasileira se resume a escravidão. Queremos fomentar este essencial debate”, conta.

Já a jornalista Maria Carolina Scherner diz que mesmo com as organizações de movimento negro cada vez mais articuladas e inseridas nos partidos políticos, nas universidades e nos setores de saúde e educação, ainda há problemas crônicos no nosso estado e no país que precisam ser corrigidos. “Há, por exemplo, o descumprimento da lei que institui o ensino de cultura africana e afro-brasileira nas escolas do Brasil. Existem avanços sim, mas as medidas que visam a ampliação e garantia dos direitos da população negra, por parte do poder público, ainda são falhos”, afirma.

Referência – O evento foi requerimento do deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli e, para ele, as autoras são bem-vindas por trazer esta obra que, utilmente, será referência literária. “A obra retrata as políticas afirmativas que o Estado tem que fazer para poder de fato corrigir a profunda desigualdade de oportunidades que têm a população afro-descendente”, afirma.

O parlamentar também lembra que no Paraná 30% da população é afro-descendente. “Curitiba, que têm a ideia de ser uma população majoritariamente branca, tem 28% da população afro-descendente. Assim notamos a importância da obra “Paraná Preto”. Além de ser uma forma didática e objetiva de leitura, também retrata justamente programas com foco na população afro-descendente, já que a cada 10 pessoas pobres no Brasil, oito são afro-descendentes”, ressalta Romanelli.

A data escolhida para o lançamento do livro é simbólica: Há 127 anos, em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinava a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no país.