Maior evento das Américas e um dos maiores do mundo quando o assunto é tecnologia voltada ao homem do campo, o Show Rural 2020, marcado para 3 a 7 de fevereiro próximo, voltará a mostrar a pujança do agronegócio e a atrair a atenção do Brasil e de países vizinhos. Já em sua 32ª edição e com previsão de R$ 2 bilhões em comercialização, o Show Rural será a maior vitrine de 2020 do principal pilar da economia paranaense. O Governo do Estado e a Assembleia Legislativa se instalam no período em Cascavel para atender atender as demandas do agronegócio, setor que cresce mais do que qualquer outro. Nesta entrevista, o deputado Luiz Cláudio Romanelli, vice-presidente do PSB do Paraná, fala sobre esse megaevento organizado pela Coopavel e analisa como o Paraná se insere no cenário agro não só brasileiro, mas mundial.

Como o senhor vê iniciativas como essa, que começou há mais de três décadas e hoje é conhecida no mundo todo?

O Show Rural tem sido um verdadeiro portal para que o produtor tenha acesso às inovações aplicadas nas mais diversas atividades do campo e um grande difusor das inovações e das novas tecnologias. Traz o que há de mais moderno para se obter maior produtividade e, o melhor, com menor custo para as atividades do setor. O Show Rural destaca toda a tecnologia de ponta da agricultura de precisão e do chamado Agro 4.0, onde o mundo digital tem auxiliado a transformar a vida do homem do campo, que nada mais é do que um empreendedor arrojado, que enfrenta as mais diversas demandas e sempre mantém a produção nos melhores patamares.

O Show Rural é o que se pode definir como uma bússola para indicar o caminho a ser trilhado pelo agricultor?

A cada edição, o Show Rural tem sido uma vitrine maior a apontar a direção a ser seguida pelo produtor, seja na área de grãos, seja na de máquinas e implementos. Não deixa nenhum setor de fora, e trata de todos os avanços nas diversas cadeias produtivas, contemplando todas as necessidades do campo. Dessa maneira, contribui para que consigamos alimentar mais pessoas, com a mesma área de plantio e sem afetar o meio ambiente, fator que gera uma preocupação mundial. Isso sem falar na estrutura física do Show Rural, que ano a ano tem se adequado ainda mais para acomodar os milhares de visitantes. Em 2020 não será diferente.

Na sua opinião, como manter o crescimento no agronegócio do Paraná e do Brasil?

O agronegócio já tem uma força gigante. No Paraná, por exemplo, ele respondeu por 77% de todas as exportações feitas ao longo do ano passado. E para continuar crescendo, o agronegócio precisa contar com investimentos em pesquisas e tecnologia, incluindo o avanço dos estudos que visam o melhoramento genético em grãos e animais. Isso garante os melhores resultados, aliados à tecnologia de ponta e inovações tecnológicas que contribuem para uma produtividade que aumenta a cada ano. Além disso, o produtor precisa continuar investindo na sua atividade, especialmente em gestão, para obter todas as informações que o ajudem nas decisões e permitam um melhor controle do negócio e menores riscos. Na ponta final, quem acaba se beneficiando com todos os investimentos do produtor rural, que é o elo inicial da cadeia, é o consumidor, que tem em sua mesa alimentos saudáveis, de extrema qualidade e a preços acessíveis.

Como deve ser a condução do agro paranaense dentro da abertura econômica promovida pelo governo federal?

O Paraná precisa se manter na liderança da produção agropecuária brasileira, como o segundo maior produtor de grãos do País e primeiro em se tratando de produção animal. Para tanto, precisa estar atento e preparado para aproveitar os acordos internacionais do Brasil, firmados com a União Europeia, Mercosul e com o Canadá, só para citar alguns exemplos, e também permanecer de fora da briga comercial entre os Estados Unidos e a China. Até porque, em se tratando da produção de proteína animal, o Paraná precisa aproveitar a situação surgida na Ásia e que acabou impactando o mercado mundial de carne desde que houve a manifestação da peste suína africana na China. A doença está afetando o plantel de suínos do maior produtor e maior consumidor mundial dessa proteína animal.

Esse setor tem sido um destaque no Paraná…

A suinocultura destaca-se pelo fato de que hoje o Paraná conseguiu se tornar uma Zona Livre de Peste Suína Clássica, a exemplo de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, resultado de uma defesa agropecuária bem estruturada e de um serviço médico veterinário oficial de extrema qualidade. Isso garante um elevado status sanitário em nosso plantel de animais, fato que influenciará no aumento das nossas exportações de carnes.  Ainda nessa cadeia produtiva, é importante observar os investimentos no Oeste paranaense para instalação em Toledo, de uma grande usina de produção de biogás que ajudará a resolver o problema dos dejetos e permitirá o surgimento de uma nova matriz energética com o biometano, produto altamente atraente.

Quais as condições que o senhor aponta para o Estado avançar mais no agronegócio?

O Paraná tem todos as condições e os personagens necessários para continuar avançando no cenário do agronegócio brasileiro e se destacando cada vez mais: tem gente que trabalha com seriedade, honestidade e muito profissionalismo; tem solo fértil, água boa e uma logística bem estruturada, o que inclui o Porto de Paranaguá para vários tipos de exportações, e o de Antonina, em se tratando de carga refrigerada, o que inclui a carne produzida no estado. E homens que atuam no agronegócio com muita competência, à frente das propriedades rurais, cooperativas e agroindústrias instaladas no estado, além de autoridades e agentes públicos e políticos que cooperam entre si para garantir um ambiente saudável aos negócios do campo. Ou seja, temos tudo para continuar apostando no setor do agro para nos mantermos no caminho do desenvolvimento.

Qual o papel do agente político quando se trata de demandas do agronegócio?

O campo está interligado à cidade, e essa integração resulta em empregos e renda nas duas áreas, urbana e rural, especialmente nas regiões onde estão instaladas as agroindústrias, que transformam a matéria prima produzida no campo, seja grãos ou proteína animal, especialmente através da criação de aves, suínos e bovinos. Mas para que isso ocorra, é preciso que o agronegócio tenha todo o respaldo do agente político, em conjunto com o gestor público. Nesse sentido, precisamos entender a importância do setor produtivo para a economia de um município, estado ou nação. É necessário agirmos para deixar que o processo de produção do meio rural flua tranquilamente para que possa atingir os resultados positivos que gera nos meios social e econômico, pois é sinônimo de riqueza para a população do campo e da cidade. 
Como os agentes públicos e de que forma podem apoiar o setor?Sabemos que a força do agronegócio reflete diretamente na economia de cidades e regiões onde o setor é forte, como é o caso do estado do Paraná, seja na região Oeste, onde se concentra a maior parte da produção, ou no Norte, no Sul ou na Região Central. O nosso papel como homem público é estar atento às leis, regulamentos e instruções normativas que permitam o crescimento do setor produtivo e não impeçam o desenvolvimento econômico e social, a partir de uma política orientativa, ao invés de apenas punitiva do ponto de vista legal. Nesse contexto o Paraná tem dado um belo exemplo ao Brasil, pois aqui o agronegócio tem nos agentes públicos e no parlamento estadual o apoio necessário para que o produtor de alimentos tenha o ambiente ideal para suas atividades, nas mais diversas cadeias produtivas. E é graças a esse ambiente colaborativo que conseguimos avançar, tanto no aumento da produção, quanto na economia do estado e no fortalecimento do setor produtivo, em todos os elos da cadeia.

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