O deputado Romanelli (PSB) divulgou nesta segunda-feira, 16, nas redes sociais, o alerta da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) sobre os riscos do uso do cigarro eletrônico e seus similares. “A venda de cigarros eletrônicos é proibida no Brasil pela Anvisa. O Fantástico deste domingo (15) trouxe uma reportagem apontando os malefícios do seu uso e o mais grave, as mortes que estão causando nos EUA”, disse Romanelli, autor da lei que baniu o tabaco em ambientes fechados no Paraná e do projeto de lei que prevê o banimento do cigarro em ambientes de uso coletivo como praças, parques, estádios, feiras e festas abertas.

O presidente da SBPT, José Miguel Chatkin, acompanha com preocupação o surgimento de um grande número de casos de uma doença respiratória em vários estados americanos. “Há indícios fortes que esta situação esteja ligada ao uso de cigarros eletrônicos, pois a maioria dos mais de 450 casos já registrados, muitos deles com muita gravidade e alguns evoluindo para o óbito, ocorreu em pessoas que usaram tais vaporizadores”, diz Chatkin em “carta aberta” a médicos pneumologistas.

“Há uma pressão sobre a Anvisa onde tramitam processos que pedem a liberação das novas opções da indústria tabagista. A agência, inclusive, já dispôs em seu site (http://portal.anvisa.gov.br/tabaco/cigarro-eletronico) e distribuiu nota relatando sobre os danos que o cigarro eletrônico causam à saúde. Entre eles, o poder do produto para atrair usuários jovens, instigando o hábito de fumar”, alerta Romanelli.

Malefícios – A Anvisa recebeu uma carta da AMB (Associação Médica Brasileira) que a alegação que deste tipo de cigarro traz menos risco à saúde “transmite a falsa sensação de segurança e pode induzir não fumantes a aderirem” ao produto. “Os e-cigarettes também não têm comprovação de que promova a cessação de uso dos cigarros convencionais. Isso faz com que algumas pessoas façam o uso “dual”, ou seja, usam o cigarro eletrônico, mas não param de usar o cigarro convencional”.

A SBPT vai entrar em contato com a AMB para desencadear ação preventiva conjunta de esclarecimento à população sobre os malefícios do uso do cigarro eletrônico.

A sociedade apela ainda aos consumidores que deixem de fumar os eletrônicos. “Enquanto esta situação não se esclarece, é prudente que orientemos nossos pacientes, usuários de cigarros eletrônicos, que abstenham de usar estes produtos”.

Leia a seguir a íntegra da carta da SBPT

Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia alerta sobre os riscos do cigarro eletrônico

A SBPT vem por meio deste alerta informar-lhes que acompanha com preocupação o surgimento de um grande número de casos de uma doença respiratória em vários estados dos USA, ainda sem esclarecimento definitivo.

Por este motivo, traz aos nossos associados e aos pneumologistas em geral alguns esclarecimentos e as medidas que está tomando.

Há indícios fortes que esta situação esteja ligada ao uso de cigarros eletrônicos, pois a maioria dos mais de 450 casos já registrados, muitos deles com muita gravidade e alguns evoluindo para o óbito, ocorreu em pessoas que usaram tais vaporizadores.

A gravidade do surto levou as autoridades sanitárias daquele país (FDA, CDC e vários centros universitários) a unirem-se para estudar quais produtos foram utilizados, como foram obtidos e que substâncias continham.

O New England Journal of Medicine publicou dois artigos e um editorial sobre este assunto em seu mais recente exemplar.

Inúmeras substâncias que podem estar no vapor destes dispositivos estão sendo estudadas, como vários agentes e óleos diluidores, aditivos, pesticidas, opioides, venenos, metais pesados, toxinas.

O uso de vaporizadores para inalar maconha e outros canabinoides tem sido admitido por muitos pacientes. Para inalação desta substância, é necessário que seja emulsionada em algum tipo de óleo, geralmente acetato de vitamina E, podendo então explicar o achado de muitos macrófagos com inclusões lipoídicas nestes pacientes. Esta vitamina está presente em inúmeros complexos de complementação alimentar, mas não há estudos sobre sua segurança via inalatória.

Enquanto esta situação não se esclarece, é prudente que orientemos nossos pacientes, usuários de cigarros eletrônicos, que abstenham de usar estes produtos, especialmente os de origem duvidosa. Se houver surgimento de tosse, dispneia, dor torácica, mesmo de leve intensidade, estes sintomas respiratórios devem ser investigados pelo pneumologista ou internista, pois pode-se estar frente a uma situação potencialmente fatal.

Eventuais quadros de abstinência nicotínica devem ser tratados com terapia de reposição nicotínica. Convulsões também devem ser avaliadas criteriosamente, pois há descrição prévia associada ao uso destes vaporizadores.

Lembre-se ainda que os dispositivos eletrônicos tem sua comercialização proibida no Brasil pela ANVISA, justamente por sua segurança e eficácia para a cessação do tabagismo convencional não terem sido suficientemente estudadas. Saiba como denunciar a venda ilegal destes produtos à ANVISA.

A Comissão de Tabagismo da SBPT e a Diretoria de Comunicação estão em contato com a AMB para desencadearem ação preventiva conjunta de esclarecimento à população.

A SBPT, ciente de sua Missão de informar e esclarecer seus associados e a população em geral, voltará a comunicar assim que obtiver novas informações.

Cordialmente,
Dr. José Miguel Chatkin
Presidente da SBPT

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