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“Viva o diálogo.”

Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados. Quero reafirmar o compromisso que a Liderança do Governo tem aliado a todos os Deputados que integram a Base de Apoio ao Governo em relação a esse tema, Deputado Elio Rusch, que envolve a educação. Sabemos como este ano foi um ano difícil, porque tínhamos que fazer um ajuste fiscal. O debate aqui na Assembleia, sabemos, saiu do razoável. Vivemos momentos aqui que nunca antes, na história deste Parlamento, se havia vivido. O País, Deputado Tadeu Veneri, vive em um momento de quase ruptura do tecido social. A indignação do povo em relação aos políticos, em relação aos governos, exige que tenhamos uma postura de equilíbrio em nossas ações. Equilíbrio, serenidade, responsabilidade. O Governo não vai fechar escolas. O Governo tem um estudo para poder debater com cada um das comunidades escolares, situações específicas, em função de uma redução muito forte da demanda em algumas escolas e, ao mesmo tempo, faz uma análise, com princípio da racionalidade, que é um princípio esculpido na Constituição Federal – Deputado Paulo Litro, como V.Ex.a sabe, como advogado – só que algumas pessoas se recusam a discutir os temas com a profundidade, a serenidade e a inteligência com que tem que fazê-lo. Sabemos que o País vive uma crise econômica, que milhares de famílias retirarão das escolas particulares filhos por não conseguirem mais pagar a mensalidade escolar por conta do desemprego, da redução da renda e também do aumento que a inflação proporciona nos preços. A escola pública é o porto seguro para essas famílias, que transferirão seus filhos da escola privada para o ensino público, e o Estado está se preparando para poder, de fato, enfrentar esse drama vivido pelas famílias, especialmente de classe média, que retirarão seus filhos da escola particular e transferirão para as escolas públicas. Quantos milhares de pessoas serão? Não sei. Mas, indiscutivelmente, temos que estar preparados. Por outro lado, não é razoável que a 200 metros tenha uma escola que paga R$ 25 mil de aluguel e tenha outra que, praticamente não tem alunos. Não é possível que não consigamos fazer esse debate! Ainda hoje, neste dia, nesta terça-feira, dia 27 de outubro, estão no Município de Irati, Deputado Artagão – está aqui V.Ex.a diretamente representando o Município que demandou, inclusive – duas das Superintendentes da Seed, onde, Deputado Maurício, nas escolas – no Pio XII, no São Vicente, debatendo com a comunidade escolar. Um dos proprietários que eu disse ainda há pouco para o Professor Lemos, que era dos padres, durante 40 anos, literalmente, não investiram nada. É um aluguel de R$ 28 mil, o prédio da escola literalmente está caindo aos pedaços, precisa de uma reforma urgente, precisa de obras que são necessárias que o Estado não pode fazer e nem fazia o Padre, a Cúria que é proprietária do imóvel. Um particular compra e tem o aluguel do Estado! Ora, quer alugar para o Estado, tem que fazer as reformas. Não temos que ter compromisso é com a mediocridade, não temos que ter compromisso é de não acertar o que tem que ser feito! O que não temos é o direito, em minha avaliação, primeiro, por primeiro: é alguém, um burocrata, encaminhar um Ofício para uma Diretora de escola e dizer: “- Olha, sua escola vai ter cessação a partir do ano que vem.” Cessação o que é: a escola vai parar de matricular ou no 1.º ano do Ensino Médio ou na 6.ª Série do Ensino Fundamental. É claro que aqui em Curitiba houve uma inabilidade por conta do Núcleo Regional de Ensino. No interior o debate está havendo, sempre houve. Tem mais de um mês que esse debate tem acontecido e muitas situações já foram esclarecidas. O que não é possível é que essas questões saiam primeiro para um campo emocional, porque obviamente envolve a emoção de um pai que tem um filho em uma escola, de uma escola que pela história dela é referência em um bairro, e aí, obviamente, essas variáveis todas têm que ser observadas e, ao mesmo tempo, desculpe, aí vai para a questão do desgaste político: “- Olha, então vamos criar mais desgaste político para o Beto Richa.” É assim, quase que um fetiche virou no Brasil de um querer destruir o outro. Como disse o Sakamoto no final: “Da hecatombe democrática deste País restarão apenas as baratas”. O fato concreto é que ou temos coragem de poder tratar os temas que é de responsabilidade de política pública, com diálogo, debate, com aprofundamento ou então, me desculpem, a Assembleia Legislativa, agora há pouco me passaram uma mensagem: “Deputado, não vote nesse Projeto que vai fechar escolas”. Imagina, como se nós aqui, na Assembleia, estivéssemos votando algum Projeto par fechar escola! Mas o que promove isso? O discurso, a desinformação! A forma com que se conduz o tema, leva à ignorância. Tenho em meu telefone celular, foto da assembleia realizada hoje no Colégio Pio XII, em Irati. Tenho aqui inclusive a visita ao local, ao prédio do Colégio São Vicente. Está aqui neste momento, Deputado Artagão, a seu pedido. Não tem ninguém aqui, com um olhar, não tem nenhuma pessoa na foto, que não esteja aqui com uma expressão serena. Por quê? Porque a diretora, as professoras, os funcionários, a APMF estão debatendo e discutindo. Agora, se formos ficar baseados no que diz a mídia, da forma com que se conduz, desculpem, assim não se constrói política pública. Porque confesso a todos aqui, me doía muito, Deputado Maurício, quando eu era Líder do Governo Requião, falava aqui assim: “- A mídia quer desconstruir as políticas públicas do Governo.” E agora tem

feito isso mesmo, da mesma forma. Não é possível que neste País não consigamos, democraticamente, conviver entre os diferentes. A Oposição tem que questionar e cobrar e está no papel da Oposição. O que não podemos é ser pautados pela mídia. A mídia tem outros interesses, pelo menos um setor da mídia tem outro tipo de interesses, respeitando naturalmente a liberdade de expressão e manifestação que tenho. Mas indiscutivelmente é o seguinte: a Assembleia Legislativa não pode ser pautada por notícias mentirosas, que acabam inflamando a opinião pública e levando ao descrédito de todos os políticos, dos Deputados deste País que estão conflagrados em uma grande luta política. E a população que está sofrendo, ela está absolutamente sensível e temos ser responsáveis.  Porque senão neste País haverá uma ruptura do tecido social, como se diz na Sociologia. Por isso é que peço a compreensão de todos. E parabenizo o Deputado Hussein Bakri, Presidente da Comissão de Educação, por poder marcar Audiência Pública, debater e discutir à luz – não dos gritos e torcidas organizadas – de quem tem representatividade na área de educação e, ao mesmo tempo, com urbanidade e respeito para que possamos ter soluções cada vez melhores para a educação em nosso Estado. Que é isso que eu – e creio, todas as senhoras e senhores, independente se é Situação, Oposição ou Grupo Independente – desejo para o nosso Estado e para o nosso País. Viva, Presidente, o diálogo! Ele tem que prevalecer sobre o obscurantismo da prepotência.